 |
Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA 03/03/2010 - 23:01 |
A euforia nos ambientes desta nossa sociedade Século XXI é a poluição dos comportamentos. É tal a devastação por esta euforia que vem, inclusive, assolando as mentes dos gramáticos daqui e de além mar – sobretudo com o Oceano Atlântico no meio.
Por favor, escrever além mar sem hífen. Por falar nisso, hífen é um sinal diacrítico. O que é mesmo? É patognomônico, caro Leitor, ou seja, sinal de alguma doença. Sendo doença o remédio dado pode até piorar. Você acredita nisso? Pois é, as contaminações propostas pelos abaratachados literantes da Língua Camoniana, eivada agora de globalizantes tecnologias, estão aí. É a nova ortografia.
Ora, pois pois, direis apartavamareados de tantas ingendricidades: que vagamundantes coisas, né? Sim, desocupados gramáticos, sem mais o que fazer, partiram para a invencionice de nivelar nosso idioma com ares de globalização.
Putsgrilo da forempeptice de lustros tureptados de vanglorices, arvorantes de donos da escrivinhatura de Camões!
Eis duas destas coisídicas instituídas: - auto-retrato ficou autorretrato, prefiro autoretrato (modificado, a leitura fica assim: autor retrato); - ante-sala ficou antessala, prefiro antesala (modificado, a leitura fica assim: antes sala); Só para não assustar o leitor citei apenas duas. E não são apenas estas tanguilaridades citadas.
Para encerrar as dadivantes pretendidas, disse o Jô Soares: “a plateia não está mais sentada á minha frente, pois tiraram o assento”. Uma total falta de respeito às bundas sentadas (separadíssimas) mundo afora, quiçá Brasil adentro!
Esta aparente melhoração ficou uma enfeiação, ficou aparataventada de vez!
Desta forma, vou continuar com meu Brasilês, pois suas regras são supimpas e absolutamente (e não absoluta mente) simplificantes e significantes:
1) Na dúvida não acentue.
2) Se ler e doer no ouvido, escreva de outro jeito.
3) Se não encontrar a melhor forma de escrever escute o que o povo fala e escreva como é esta fala.
4) Use sempre o significante, pois tá mais de acordo com o que o povo fala.
5) Se não achar a forma correta de escrever uma palavra, crie uma.
6) Não se acanhe de inventar palavras, faz parte do bom brasilês.
7) Mais vale ser entendido do que acertar na concordância.
Por favor, ocultíssimos gramatofobos ou simplesmente baralharadores do que já está baralhado: colham os frutos maduros e saboreantes das falas no meio do povo brasileiro, em vez de pisarem nele só para não sentir o seu cheiro.
Ora, pois pois, direis coreábolos desta autoréia linguaruda: o povo é que escreve de forma aberrante. Não, não. O povo fala o Brasilês. E antes que esqueça: vão arrumar o que fazer, não sejam incongrulócidos! Amemzis!
Que o Arquiteto do Universo me ajude a reconstruir meus esquemas mentais sobre os prelúcidos intrínsecos a estes berioles modernísticos.
Professor Ivus Leal